Adaptação de métodos e recursos à Escola Dominical

Adaptação de métodos e recursos à Escola Dominical


A exemplo das escolas seculares, é necessário investimento na reciclagem dos professores

A Escola Dominical, assim como a igreja, na mesma medida em que deve evitar o mundanismo, precisa buscar modernização. E por quê? Porque o ensino ministrado na ED, além de comprometido com a Palavra, não deve perder de vista o ser humano.

Um método é apenas a maneira, o caminho para se chegar a um alvo. Nosso alvo é conduzir o aluno à aprendizagem. É ele quem irá aprender. Nosso dever é descobrir a maneira de tornar isso o mais fácil possível para ele. Devemos adaptar a lição ao aluno, nunca o contrário.

Escolha e combinação

Uma aula apresenta normalmente uma combinação de dois ou mais métodos. Jesus usou vários métodos.

Seguiremos seus passos neste estudo.

O professor eficiente é aquele que lança mão dos métodos disponíveis de modo a alcançar os objetivos a que se propõe.

Ao preparar a lição, o professor deve se perguntar como a matéria pode ser ensinada a fim de atingir um objetivo que edifique a vida de seus alunos. Isso sem deixar de vislumbrar que não há método infalível, bem como superior. Existe, sim, o mais apropriado para uma determinada classe, numa determinada situação.

Métodos de ensino

a) Método de preleção – Também chamado expositivo. Podemos vê-lo em Mateus 5.1-2 e Lucas 4.22. Nunca deve ser usado só. Em combinação com outros métodos, como Jesus usou, é de grande valor no ensino. Sozinho, tem mais desvantagens do que vantagens.

O método expositivo pode ser muito útil quando objetiva dar aos alunos as noções que lhes permitam caminhar na aprendizagem, procurando tornar mais claro um assunto anteriormente estudado, ou organizando os fatos de modo a facilitar a compreensão. É tipicamente o caso em que o professor fala e o aluno apenas ouve.

b) Método de perguntas e respostas – Também conhecido como método socrático por ter sido amplamente usado por Sócrates. Mateus 22.42-45 encerra quatro perguntas de Jesus.

Vantagens do método:

1) Serve como ponto de contato entre o professor e o aluno.

2) Ajuda a medir o conhecimento do aluno. Como o professor pode saber se o aluno entendeu a verdade ensinada? (Mateus 13.51; 16.9-12).

3) Desperta o interesse. Felipe iniciou um diálogo com o ministro da Fazenda da rainha Candace, da Etiópia, perguntando: “Entendes o que lês?” (Atos 8.30).

4) Estimula o pensamento. Uma pergunta bem-feita leva de fato o aluno a pensar (Mateus 9.28). Mas é preciso técnica na formulação de perguntas. Faça perguntas resumidas e claras. Evite perguntas cujas respostas sejam sim ou não.

5) Ao lançar a pergunta, dirija-se à classe toda. Faça uma pausa para que todos pensem na resposta. Em seguida, chame um aluno pelo nome para respondê-la. Evite seguir uma ordem exata na chamada dos alunos. É importante indagar com cuidado para que a classe fique à vontade, sem constrangimento. Dê importância à resposta certa, mas não a supervalorize.

6) O método de perguntas e respostas leva o aluno a participar ativamente da aula. Pode ser usado em todos os grupos de idade.

c) Métodos de discussão – É também chamado de debate orientado. A sequência na conclusão deste método é: pergunta, seguida de argumentação, seguida de análise, seguida de resposta (Lucas 24.15-27,32 e Atos 17.3,17; 18.4; 19.9). Para discutir um assunto, subentende-se que os alunos já têm informação sobre o mesmo. O professor precisa manter o equilíbrio da argumentação. Não permitir que o tema seja desviado nem que o fale mais tempo que o estritamente necessário.

d) Método audiovisual – Os registros mais antigos das primeiras civilizações trazidos à luz pela Arqueologia estão em forma de desenhos.

No método audiovisual, a mensagem que se quer transmitir é ouvida e vista, combinando assim dois poderosos canais de comunicação na aprendizagem. Ela atrai e domina a atenção, aumentando, portanto, a retenção. Conforme lemos em Mateus 6.26 (“Olhai para as aves do céu”); 6.28 (Olhai para os lírios do campo”); João 10.9 (“Eu sou a porta”); 15.5 (“Eu sou a videira verdadeira, vós as varas”) e Marcos 12.15-16 (“Trazei-me um denário. De quem é esta efígie?”).

e) Método da narração – São as histórias. Nesse campo, nada suplanta a Bíblia. Jesus usou muito este método, apresentando histórias em forma de parábolas, como em Mateus 13.

A história é como uma janela deixando a luz entrar. Na Bíblia, a maior fonte de história é o Antigo Testamento. Pode ser aplicado a todas as idades. A história depois de narrada deve ser aplicada. Veja o caso de Natã ensinando a Davi (2 Samuel 12.1-4) e, em seguida, aplicando o ensino (2 Samuel 12.7).

O Novo Testamento também contém muitas histórias. Veja exemplos de Jesus usando o método de narração: O bom samaritano (Lucas 10), o Filho Pródigo (Lucas 15.11), a Dracma Perdida (Lucas 15.8), a Parábola do Semeador (Mateus 13) entre outras.

Há muitas outras fontes de histórias além da Bíblia, como a natureza, as biografias (como em Mateus 11.11) e os fatos do momento.

f) Método de leitura – O professor pode pedir aos alunos para procurarem textos em suas Bíblias e lerem (Lucas 4.16 e João 8.6). Isto tem um valor maior do que se pensa. A leitura pode ser de outra fonte além da Bíblia.

g) Método de tarefa – Esse é um dinâmico método: se aprende a fazer fazendo. Método ideal para crianças desde a mais tenra idade. A criança aprende de fato quando faz a lição, devidamente instruída pelo professor. Jesus, para ensinar certa lição a Pedro, usou este método (Mateus 17.24-27). Outros exemplos: João 9.6-7; Marcos 6.45-62; Mateus 17.16-21; João 21; Lucas 9.14-17 e Atos 17.11.

Aqui estão inclusos: Trabalhos de pesquisa, de redação e manuais – desenhos, esboços, mapas, montagens de lições ilustradas (figuras, labirintos, enigmas, palavras-cruzadas). O professor ao aplicar este método, deve dar instruções o mais claro possível se quiser ver resultados satisfatórios.

h) Método demonstrativo – É o de ensinar fazendo. Jesus o usou. Ele sempre o usava antes de ensinar (Atos 1.1; João 13.15 e 1 Pedro 2.21). É o método “faça como eu faço” (Mateus 6.9; 4.19; 11.2-5; João 13.15; 1 Coríntios 11.1 e Esdras 7.10).

Os alunos precisam não somente aprender de Cristo, mas também “aprender a Cristo” (Efésios. 4.20). Só é possível “aprender a Cristo” quando Ele tem expressão por meio de uma vida. As marchas e cânticos com gestos para os pequeninos têm grande valor. Idem para a dramatização.

Recursos didáticos e instrucionais

Recurso Instrucional é todo aparelho material ou objeto que tenha a finalidade de estimular os sentidos para facilitar a aprendizagem.

As aulas ministradas com o auxílio de recursos instrucionais adequados levam o aluno a melhores condições para a aprendizagem. Isso porque quanto mais completas, vividas e precisas forem as experiências sensoriais (que apelam para os sentidos), tanto mais efetiva será a mudança de comportamento.

O processo de aprendizagem é tanto mais eficaz quanto mais se possa realizar uma experiência direta.

Os sentidos são a ligação entre o homem e o mundo exterior. Devemos criar um ambiente que permita estimular a totalidade dos sentidos. A visão é o sentido que apresenta maior possibilidade percentual da aprendizagem. A combinação do verbal e visual permite alta retenção e, portanto, uma facilidade muito maior na aprendizagem.

1) Vantagens da utilização dos recursos instrucionais

As vantagens da utilização dos Ris como material didático são inúmeras, dentre elas destacam-se as seguintes.

a) Atuam diretamente sobre os sentidos

Essa atuação faz com que a ação da aprendizagem se torne mais fácil.

b) Melhoram a retenção

A capacidade de retenção varia de pessoa para pessoa. Mas, de modo geral, essa capacidade toma-se maior quando um RI é devidamente utilizado.

c) Atuam como incentivo

A forma pela qual você prepara sua aula influi na aceitação ou desprezo por parte do aluno. É incontestável o fato de que os RIs, quando bem-preparados, transformam-se em grandes aliados do professor, pois tornam a aula mais agradável.

d) Reforçam a comunicação oral

Além de o aluno ouvir, ele visualiza o que está sendo dito ou explicado através da legenda ou ilustração. Ao mesmo tempo em que facilita a compreensão, os RIs economizam tempo, já que o aluno aprende mais rápido o conteúdo ensinado.

e) Contribuem para obter a atenção do aluno

O aluno só retém aquilo que percebe e que prende sua atenção. Os RIs incentivam o aluno e, em consequência, criam um estado de prontidão para a aprendizagem.

2) O emprego dos recursos instrucionais

Às vezes, um RI cuidadosamente selecionado e elaborado torna-se improdutivo por problemas de mau uso. Então, a fim de evitar desperdício, devemos tomar alguns cuidados especiais.

a) Examinar previamente o funcionamento de aparelhos.

b) Apresentar o RI apenas no momento oportuno.

c) Verificar a coerência entre o conteúdo de trabalho e o RI.

d) Controlar o tempo disponível.

Não permitir que os RIs concorram entre si ou com o próprio professor no prender a atenção do aluno.

É comum, em algumas ocasiões, observar-se a utilização de múltiplos RIs simultaneamente como se a aula fosse a apresentação de um show. Tal procedimento apenas invalida o esforço para direcionar a atenção do aluno para o conteúdo que está sendo transmitido. O que deveria ser para auxílio acaba prejudicando, pois a atenção do aluno ficou dividida.

3) Recursos instrucionais mais utilizados na Igreja

a) Quadro de giz (quadro-negro ou lousa)

É um dos recursos mais versáteis, pois propicia ao professor a combinação de várias formas de apresentação visual com a exposição oral. Vejamos alguns cuidados no seu uso:

a) Elabore, antes de iniciar o trabalho, um plano geral de como utilizar o quadro.

b) Providencie que seja limpo antes e depois da aula.

c) Escreva sempre com letra legível.

d) Se necessário, divida o quadro-de-giz em partes e utilize da esquerda para a direita e de cima para baixo.

e) Evite textos longos.

b) Flanelógrafo

É constituído de um quadro de feltro ou flanela que possibilita, por simples pressão, a aderência de material durante a exposição de um assunto.

É um recurso barato e de fácil confecção. Possibilita a participação do aluno, permite introduzir dinamismo na transmissão de uma ideia e a principal vantagem é permitir o desenvolvimento progressivo de um assunto, como uma história ou a evolução de acontecimentos no tempo.

A aula deve ser planejada com previsão do melhor momento de utilização. Deve-se observar se o flanelógrafo pode ser visto por toda a classe. Ao usá-lo, fique ao lado para não tirar a visibilidade. Além disso, desenvolva o assunto da esquerda para direita e coloque os elementos com uma ligeira pressão para baixo.

Investimento e chamada

A exemplo das escolas seculares, é necessário investimento na reciclagem dos professores, bem como na socialização de novos recursos a serem aplicados na Escola Dominical.

É importante elaborar seminários objetivando maior dinamismo entre o corpo de professores, promovendo a busca na aquisição de novos conhecimentos e possibilitando a troca de experiências para que os professores de classes diferentes possam relatar suas dificuldades, experiências que deram certo e, como não deixaria de ser, aquelas que não deram certo, a fim de que seus colegas possam dissertar sobre a questão.

Que o Senhor nos abençoe proporcionando, cada vez mais, oportunidades para que possamos desempenhar com dedicação, zelo e seriedade nossas funções em sua obra. “Tendo, porém, diferentes dons, segundo a graça que nos foi dada: se profecia, seja segundo a proporção da fé; se ministério, dediquemo-nos ao ministério; ou o que ensina, esmere-se no fazê-lo” (Romanos 12.6-7).

por Walter Leite

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