Século 20: o período de maior explosão missionária e evangelística

Século 20: o período de maior explosão missionária e evangelística


Maior expansão de missões e quantidades grandes evangelísticas se deu no século 20, mas século 21 tem mantido avanço da mensagem de Cristo

O século 20 foi o período de maior explosão missionária e de maior quantidade de grandes evangelistas de massa. No que tange à expansão missionária, tudo teve início no grande despertamento para missões no século 19, que criou uma onda missionária mundial que transbordou no século 20, fazendo com que o movimento de missões experimentasse um crescimento expressivo em todo o planeta no último século, especialmente impulsionado pelo Movimento Pentecostal. E na área da pregação de massa, o surgimento das técnicas modernas de divulgação de eventos no final do século 19, que foram aperfeiçoadas no século 20 com o surgimento das grandes mídias, facilitaram o alcance das massas com a pregação do evangelho – e, claro, o poder do próprio evangelho fez o seu efeito, atraindo mais pessoas.

Explosão missionária

Se o século 19 é chamado “O Grande Século das Missões”, com nomes como William Carey (1761-1834), Adoniram Judson (1788-1850), Robert Moffat (1795-1883), David Livingstone (1813-1873), John Paton (1824-1907), Hudson Taylor (1832-1905) e Amy Carmichael (1867-1951), o século 20 é o de maior expansão missionária da história. Segundo relatórios da World Christian Encyclopedia, no ano de 1900, havia, de acordo com estimativas, 62 mil missionários protestantes/evangélicos no planeta; já em 1970, esse número havia saltado para 240 mil (crescimento de 287% em 70 anos), e continuou crescendo até a virada do século. Hoje, segundo relatório da Conferência de Lausanne, há 450 mil missionários no mundo (crescimento de 90% em 55 anos).

No ano de 1900, dos 62 mil missionários espalhados pelo mundo, a maioria, 18 mil, era de europeus, com os Estados Unidos em segundo lugar com cerca de 5 mil. Porém, ainda na primeira metade do século 20, os norte-americanos superaram os europeus e continuam largamente sendo o país que mais envia missionários, com cerca de 127.000 atuando hoje mundialmente. Por sua vez, no século 21, o Brasil consolidou-se como uma das maiores nações enviadoras, chegando ao segundo lugar com cerca de 40 mil missionários transculturais, superando a Coreia do Sul, hoje com cerca de 25 mil e que ocupava esse posto anteriormente. Ou seja, Estados Unidos, Brasil e Coreia do Sul representam atualmente 43% da força missionária no mundo.

Até poucos anos atrás, estimava-se que 43% da população mundial não havia ainda ouvido o evangelho. Hoje, estimativas falam de 29% da população, o que é um grande avanço, mas ainda há muito a ser feito. A maioria esmagadora dessas pessoas não-alcançadas está na chamada “Janela 10/40”.

Século de grandes evangelistas

Após o célebre evangelista norte-americano congregacional Dwight Lyman Moody (1837-1899) ter criado, no século 19, o atual modelo que conhecemos de cruzadas evangelísticas, muitos seguiram seus passos no século 20, e não apenas nos Estados Unidos, mas em todo o mundo. Centenas de grandes evangelistas se ergueram no século 20 atraindo multidões e levando literalmente centenas de milhões de pessoas a Cristo.

Antes de Moody, nos séculos anteriores, muitos já haviam pregado a grandes ajuntamentos ao ar-livre ou em grandes teatros e tendas com tanta graça de Deus quanto ele, mas ninguém havia pregado tantas vezes dessa forma, a tanta gente e com tanta organização quanto Moody. Como resultado disso, Moody foi não apenas o homem que, oficialmente, pregara a mais pessoas no mundo no século 19 e que levara mais vidas a Cristo no mesmo período, mas também aquele que, até então, havia pregado a mais gente e levado mais vidas a Cristo na história. Embora tenha pregado apenas nos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Escócia, Irlanda e França, foram literalmente milhares de cruzadas em 26 anos (1873-1899) que reuniram ao todo 100 milhões de pessoas, levando 1 milhão de vidas a Cristo, em uma época em que a população mundial girava em torno de 1,3 a 1,5 bilhão de pessoas. Lembrando que o ministério de Moody também foi marcado pela valorização da Escola Dominical.

Devido a esse sucesso, vários outros seguiram seus passos no século seguinte nessa forma de evangelização, tais como Billy Sunday (1862-1935), Aimee Semple McPherson (1890-1944), Kathryn Kuhlman (1907-1976), Billy Graham (1918-2018), Oral Roberts (1918-2009), T. L. Osborn (1923-2013), Rex Humbard (1919-2007), Bernhard Johnson Jr (1931-1995), Luís Palau (1934-2021), Jimmy Swaggart (1935-2025), Reinhard Bonnke (1940-2019) etc. No Brasil, foram dezenas.

O evangelista pentecostal germano-americano Reinhard Bonnke (1940-2019) talvez tenha sido o último dos grandes evangelistas a atrair multidões impressionantes em suas cruzadas e a levar literalmente milhões para Cristo através delas, se tornando um dos grandes nomes do século 20 na pregação do evangelho. Além disso, ele foi um dos catalisadores da expansão do Movimento Pentecostal na África no século 20 e início do século 21, continente onde serviu como missionário e realizou a maioria das suas cruzadas, que foram marcadas não apenas por grande número de conversões, mas também por muitos milagres.

Segundo os dados da organização Cristo para Todas as Nações (CFAN, na sigla em inglês), fundada por Bonnke, após 50 anos de ministério, ele havia pregado em mais de 90 países – sendo 34 da África – e a cerca de 80 milhões de pessoas, por meio de centenas de cruzadas (sendo mais de 200 delas só no continente africano) o que o torna o segundo evangelista que pregou a mais pessoas presencialmente na história e o quarto evangelista que pregou a mais pessoas na história. O primeiro a pregar a mais pessoas presencialmente é o célebre evangelista batista Billy Graham (1918-2018), que, em mais de 70 anos de ministério, pregou para 215 milhões pessoas em mais de 400 cruzadas em 185 países. Somando à audiência dos programas evangelísticos de tevê, Graham pregou a quase 2 bilhões de pessoas ao todo.

O terceiro evangelista a pregar a mais pessoas presencialmente foi o argentino Luís Palau (1934-2021), cujo ministério se desenvolveu mais na América Latina. Em mais de 60 anos de ministério, Palau realizou mais de 500 cruzadas em mais de 80 países, alcançando presencialmente cerca de 25 milhões de pessoas; porém, somando a audiência em rádio e tevê, estimasse que ele tenha alcançado entre 800 milhões e 1 bilhão de pessoas. Já o evangelista que pregou a mais pessoas na história foi o pentecostal Jimmy Swaggart (1935-2025), devido ao alcance até agora inigualável que seus programas de tevê tinham no auge de seu ministério. Em 67 anos de ministério, em eventos presenciais, Swaggart alcançou milhões de pessoas em centenas de cruzadas realizadas em mais de 40 países, a maioria esmagadora delas nos Estados Unidos, porém seus programas evangelísticos de tevê nos anos de 1980, transmitidos para 145 países, alcançavam em média, em seu auge, 500 milhões de pessoas por semana.

No Brasil, nesse período, o principal nome foi o missionário pentecostal Bernhard Johnson Jr (1931-1995), que, em 30 anos de ministério de cruzadas, promoveu 225 cruzadas em mais de 70 países – a maioria realizadas no Brasil – e que alcançaram milhões de pessoas, levando mais de 1,8 milhão de vidas a Cristo. Todos esses grandes evangelistas deixaram um legado não apenas em vidas salvas, o que é o principal, mas em instituições e obras que foram criadas através de seus ministérios e que existem até hoje, seja em forma de seminários, faculdades, associações evangelísticas, orfanatos, livros, hinos, periódicos, trabalhos sociais etc. E Deus ainda tem usado muitas pessoas no mundo hoje na área evangelística, em mais quantidade até do que antes, embora nem todos com grande projeção, até porque isso não é o mais importante. O que importa é sermos instrumentos fiéis para o avanço do Reino de Deus na Terra, para a Sua glória.

Várias formas de cumprir o Ide

Lembrando que missões transculturais e evangelismo de massa não são a única forma de levar o Ide de Jesus. Aliás, todas as pesquisas mostram que o evangelismo pessoal ainda é o método de evangelismo que mais tem levado vidas a Cristo em todo o mundo. Portanto, amado irmão e irmã, mesmo que você não seja um evangelista que alcance multidões ou um missionário que rompa fronteiras culturais e desbrave regiões fechadas para o evangelho levando a mensagem de Cristo, você pode, além de apoiar missões com suas ofertas e orações, ganhar vidas para Jesus em sua família, vizinhança, trabalho, escola, faculdade, nas redes sociais, onde estiver, e discipular vidas. Estas são atividades que se constituem um trabalho de valor eterno e que faz grandíssima diferença para a expansão do Reino de Deus no mundo. Cada um tem a sua vocação e dons específicos, mas a responsabilidade de evangelizar é de todos. Levemos Cristo a todos!

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