Em 22 de janeiro, durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, apresentou seu Conselho de Paz. Ao todo, mais de 30 países aderiram, incluindo Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Egito e Turquia. Trump informou que dos 62 países convidados, 59 haviam manifestado oficialmente interesse em participar, embora somente 35 tenham concretizado a entrada no órgão até o fechamento desta edição, de acordo com o governo Trump. Notavelmente, quase nenhum país da União Europeia está participando até agora do referido Conselho – apenas a Hungria aderiu. França e Reino Unido estão deliberadamente mantendo distância. A razão? Os governos europeus temem que este conselho funcione como um concorrente ou uma alternativa à Organização das Nações Unidas (ONU), que, após perda de bilhões de dólares de financiamento do governo dos EUA, anunciou em 5 de fevereiro, através de seu secretário-geral António Guterres, um risco de “colapso financeiro iminente” ainda no primeiro semestre deste ano.
Conselho não será mais para tratar só de Gaza
O próprio governo de Israel, que faz parte do Conselho de
Paz desde a sua formação original anunciada em outubro do ano passado, foi o
primeiro a revelar esse intento norte-americano em relação ao novo órgão,
criticando o governo Trump, ainda em janeiro, por estar querendo tornar o
Conselho de Paz um concorrente da ONU. Originalmente, o Conselho foi concebido
para reconstrução e administração de Gaza, e criação de uma Força Internacional
de Estabilização (FIE) para desmilitarizar aquele território, mas Trump tem
indicado que ele deverá ter um papel muito mais amplo, chegando a falar em um
“primeiro passo rumo à paz mundial”.
Dez dias antes da crítica pública de Israel, o governo Trump
anunciou, em 7 de janeiro, a saída dos EUA de mais de 60 organizações
internacionais, sendo elas 31 entidades ligadas à ONU e 35 outras entidades
internacionais. Além disso, a ONU ainda do ano passado, Trump cortou bilhões de
dólares que eram enviados anualmente a órgãos das Nações Unidas. A ironia é
que, em 17 de novembro do ano passado, o Conselho de Segurança da ONU havia
adotado uma resolução – por 13 votos a zero, com abstenções – endossando a
criação do Conselho de Paz para Gaza elaborado pelo governo Trump. A
preocupação maior de Israel, porém, parece ser, segundo as críticas do
primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o fato de o governo dos Estados
Unidos ter convidado para participar do órgão países que o estado israelense
entende que fogem do propósito original do Conselho, pois seriam escolhas temerárias
visando a uma paz em Gaza.
Países como a Rússia também foram convidados e estão se envolvendo
explicitamente. O líder russo, Vladimir Putin, ofereceu um bilhão de dólares em
ajuda aos palestinos por meio desse conselho. Ora, se a Rússia – que é grande
apoiador do Irã, que, por sua vez, patrocinava o grupo terrorista Hamas, que
aterrorizava Gaza e promovia genocídio de judeus na região – continua em guerra
com a Ucrânia e quer participar do referido Conselho, como esse órgão pode
levar o mundo à paz?
Apesar dessas contradições, Trump tem se declarado um “pacificador
global”, listando entre seus feitos ter acabado com o conflito em Gaza; ter
dado fim à guerra entre Israel e Irã, que estava escalando, e destruído o projeto
nuclear iraniano; e ter promovido um cessar-fogo em conflitos antigos ou que
estavam se iniciando entre países em outras regiões do mundo. Autoridades do
governo Trump também revelaram planos ambiciosos para uma “Nova Gaza” durante a
cerimônia no Fórum Econômico Mundial, com o líder americano descrevendo o território
palestino devastado como “uma ótima locação para o mercado imobiliário, perto
do mar”. Mesmo assim, persiste o ceticismo generalizado sobre um plano do líder
norte-americano que venha a reescrever, de fato, a ordem mundial, mas ele
insiste no plano.
“Quando esse conselho estiver completamente formado, poderemos
fazer praticamente tudo o que quisermos. E faremos isso em conjunto com as
Nações Unidas”, disse Trump em Davos, no Fórum Econômico Mundial, quando do lançamento
oficial do Conselho. Ele, porém, criticou em seguida a ONU, dizendo: “Eu nunca
nem falei com a ONU [para resolver os problemas que resolvi]. Eles tinham um
potencial tremendo”. E acrescentou que seu Conselho dialogará “com muitos
outros, incluindo a ONU”. O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco
Rubio, também discursou na cerimônia e disse que o Conselho será “um conselho não
só da paz, mas da ação”.
Segundo um rascunho vazado do estatuto do novo Conselho da Paz
divulgado pela BBC News em 26 de janeiro pelo seu correspondente-chefe
internacional, a jornalista canadense Lyse Marie Doucet, e também pelo Drop
Site News, pelo jornal britânico The Guardian e pelas agências internacionais
de notícias Reuters e Associated Press, Donald Trump seria o presidente
vitalício do Conselho da Paz, mesmo quando deixar o cargo de presidente dos Estados
Unidos, e seus poderes, segundo a minuta do estatuto, seriam amplos: autoridade
para convidar ou não estados membros; criar ou dissolver organismos subsidiários;
único com poder de veto no Conselho; e poder de indicar seu sucessor quando decidir
deixar o cargo ou se ficar incapacitado de prosseguir. Se qualquer outro país
quiser se tornar um membro permanente, o preço é um bilhão de dólares, o equivalente
a mais de 5 bilhões de reais. O rascunho obtido por três fontes diferentes não
estava assinado, era datado de 22 de janeiro de 2026 e intitulado “Resolução nº
2.026/1”.
Tentando redesenhar a ordem mundial
Por outro lado,
alg umas medidas concretas de
Trump mostram a sua disposição de redesenhar a ordem mundial – se ele vai
conseguir ou não redesenhá-la, é outra questão. Entre essas medidas concretas
estão os seus esforços para enfraquecer a China por meio das tarifas; a liberação
para o Japão formar seu próprio exército (algo que não era permitido desde o
final da Segunda Guerra Mundial); a pressão sobre a Europa para que passe a
investir mais em suas próprias forças armadas em vez de depender em grande
parte das forças armadas norte-americanas para a sua proteção; a retomada do
controle do Canal do Panamá (antes controlado por empresas chinesas) e o acordo
conquistado para governar parte da Groelândia, região onde os navios russos e
chineses – inclusive militares – aumentaram seu tráfego nos últimos anos; a retirada
do ditador Nicolás Maduro do poder na Venezuela; a pressão sobre Cuba para
derrubar aquela ditadura após 67 anos etc. Tudo isso com apenas um ano de
governo, completados em 20 de janeiro.
Em dezembro passado,
a Secretaria de Estado dos EUA, liderada
por Marco Rubio, divulgou oficialmente a nova política internacional do governo
norte-americano para os próximos anos, cujas novidades foram: foco militar na
América Latina, com o plano falando de um “reajuste da presença militar global
para enfrentar ameaças urgentes em nosso hemisfério”; acabar com a “migração em
massa” para os Estados Unidos, com o documento asseverando o “fim da era da migração
em massa” e também a necessidade de “proteger as fronteiras contra migração descontrolada,
terrorismo, drogas, espionagem e tráfico humano”; o estabelecimento da doutrina
da “paz através da força”, frisando que “a força pode nos permitir alcançar a
paz, porque as partes que respeitam nossa força frequentemente buscam nossa ajuda
e são receptivas aos nossos esforços para resolver conflitos e manter a paz”; o
foco na Ásia está em garantir benefícios econômicos com parcerias e “dissuadir confrontos
militares, particularmente em Taiwan”; em relação à Europa, evitar um
“apagamento civilizatório”, em referência ao crescimento da imigração de muçulmanos
e “incentivar mais autossuficiência em defesa”; no Oriente Médio, “construir a
paz” e evitar que “inimigos” se aproximem da região, principalmente para a
exploração de petróleo; e em relação à África, uma mudança da ajuda externa
para o comércio e o investimento, que atualmente são controlados fortemente
naquele continente pela China. Finalmente, nos avanços tecnológicos, a
estratégia fala em garantir que a tecnologia e os padrões dos EUA se imponham nas
áreas de inteligência artificial, biotecnologia e computação quântica.
Especulações escatológicas
Desde que foi divulgado que o Conselho de Paz terá seu
propósito estendido para se tornar uma nova plataforma internacional que busca
promover a paz mundial além de trazer ordem, segurança e mediação precisamente
ao Oriente Médio, as especulações escatológicas começaram. Basicamente, a
questão é: seria esse Conselho de Paz o órgão que será usado pelo Anticristo
para fazer, no futuro, a sua aliança de paz durante a Grande Tribulação?
O texto bíblico que os escatólogos têm em mente é justamente
Daniel 9.27, que afirma: “E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na
metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações
virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado
sobre o assolador”. Esse texto trata de uma aliança de paz entre o “príncipe
que há de vir” (o Anticristo), Israel e muitas nações, que resultará no início da
Grande Tribulação de Sete Anos ou Septuagésima Semana de Daniel.
A interpretação que alguns sugerem, a partir das notícias da
criação do Conselho de Paz de Trump, é que essa aliança que o Anticristo
firmará “com muitos” – isto é, com muitas nações – e que durará sete anos
poderá ser promovida exatamente por esse Conselho de Paz criado pelo presidente
dos Estados Unidos, e que tal aliança permitirá a construção do Templo de
Jerusalém.
Entretanto, como profetizado, no meio dessa semana (ou seja,
no meio dos sete últimos anos antes do Retorno de Cristo com a Igreja), a
aliança é quebrada: os sacrifícios e ofertas cessam, e a “abominação da
desolação” é estabelecida, começando, assim, a segunda metade do período de sete
anos (três anos e meio) da Grande Tribulação. Ou seja, o resultado da
concretização deste Plano de Paz será o início da Septuagésima Semana da profecia
de Daniel.
É importante dizer que se essa conjectura estiver certa, isso
não significa dizer que o presidente Donald Trump é o Anticristo, como sugerem
teóricos da conspiração de plantão, que se proliferam aos montes na internet,
seduzindo incautos com suas teorias mirabolantes. O que se pode dizer no máximo
é que o Conselho de Paz que ele está criando hoje, por uma boa razão e um bom
motivo, pode se tornar mais à frente o facilitador deste plano de paz futuro do
Anticristo, com muitas nações concordando com os termos deste pacto. Por outro
lado, pode ser que o Conselho de Paz de Trump falhe miseravelmente e o fórum em
que o Anticristo celebre seu plano de paz seja outro, que ainda não existe; ou
seja a ONU, de repente revitalizada.
Se o Conselho de Paz de Trump será essa plataforma futura
que será usada pelo Anticristo para estabelecer uma falsa paz que permitirá a
construção do Templo de Jerusalém e, depois, com a sua quebra, sua profanação e
o início de um conflito mundial contra Israel, não sabemos, mas uma coisa é
certa: a Segunda Vinda do Senhor Jesus se aproxima. Estejamos preparados e
trabalhando com afinco na Seara do Senhor. Maranata! Ora, vem, Senhor Jesus!
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