Eventos são parte do sinal dos tempos; conheça a real situação dos cristãos nigerianos e o que a Assembleia de Deus naquele país tem feito a respeito
Após os terríveis terremotos que abalaram a Venezuela em 24 de junho, com número oficial de mortos chegando a 6.301 (até o fechamento desta edição) e o terremoto de 18 de julho no Peru, que matou seis pessoas, foi a vez da Colômbia ser atingida por um terremoto de magnitude 7,4 em 10 de agosto, que até o fechamento desta edição j ́á havia ceifado oficialmente a vida de mais de duas centenas de pessoas e ainda havia mais de 3 mil desaparecidas. Vieram ao chão 6 edifícios e 37 casas, e mais de 1,5 mil residências ficaram severamente danificadas. Algumas das cidades gravemente afetadas foram Pereira, Cali, Quibdó, Medellin, Risaralda, Valle del Cauca, Chocó e Manizales. Em Cucuta, segundo depoimento do pastor e missionário José Satírio, que está há mais de cinco décadas no país, houve apenas alguns prejuízos materiais, mas nenhuma morte, pelo menos entre os crentes.
Após o Dilúvio nos dias de Noé, a Terra sempre registrou
terremotos, que são causados pelo movimento natural das placas tectônicas, provavelmente
formadas após o Dilúvio. Porém, em Mateus 24.7 e Lucas 21.11, encontramos Jesus
falando de terremotos de grande magnitude e em vários lugares do mundo como
parte do “Princípio das Dores”, o período que aponta para a proximidade do Seu
Retorno. Logo, esses fenômenos são lembretes de alerta e vigilância espiritual,
além de destacarem a fragilidade humana diante de uma natureza afetada pelos
efeitos do pecado. É a criação gemendo, aguardando a restauração de todas as
coisas (Romanos 8.22).
Perseguição a cristãos na Nigéria se intensifica
Outro sinal da proximidade do Retorno de Cristo é a
intensificação da perseguição aos cristãos (Mateus 24.9,10; Marcos 13.9,13; Lucas
21.12-17). Nesse âmbito, um dos casos mais prementes dos nossos dias é a
Nigéria. Com mais de 230 milhões de habitantes e uma densidade demográfica de
258 pessoas por km2, a Nigéria é o país mais populoso da África, abrigando populações
cristãs e muçulmanas de dimensões semelhantes. No entanto, ao longo das últimas
décadas, a combinação de extremismo islâmico, disputas territoriais, tensões
étnicas, criminalidade organizada e a fragilidade do estado transformou o país em
um dos cenários mais complexos de violência contra cristãos no continente
africano. O surgimento do Boko Haram em 2009, a expansão do Estado Islâmico na
África Ocidental (ISWAP) e a atuação de milícias fulani radicalizadas agravaram
a insegurança, principalmente no nordeste da Nigéria e na região conhecida como
“Cinturão Médio”.
Embora a violência também vitime comunidades muçulmanas,
organizações internacionais dedicadas ao monitoramento da liberdade religiosa
indicam uma perseguição desproporcional aos cristãos em diversas regiões.
Ataques a vilarejos, igrejas, líderes religiosos e agricultores cristãos
tornaram-se recorrentes, provocando milhares de mortes, deslocamentos forçados
e a destruição de comunidades inteiras. Tais índices contribuem para a 7a posição
do país na Lista Mundial da Perseguição aos Cristãos (LMP) da Agência Portas
Abertas, divulgada pelo jornal Mensageiro da Paz em março deste ano (edição
1690).
Um banho de sangue de mártires no 1º semestre de 2026
Em janeiro deste ano, ocorreu o sequestro de 177 fiéis em
uma igreja no estado de Kaduna. Em fevereiro, ataques coordenados contra
comunidades cristãs do estado de Benue causou mais de 30 mortes. No mês
seguinte, outros 22 cristãos foram mortos em comunidades agrícolas no mesmo estado.
Moradores acusaram milícias fulani armadas e criticaram a demora das forças de
segurança em responder às investidas. Durante a Páscoa, em abril, 157 fiéis foram
assassinados em Plateau, Benue, Kaduna e Nasarawa. Além das mortes, as
ofensivas a igrejas e vilarejos geraram sequestros e destruição de
propriedades. Em maio, sete cristãos foram decapitados publicamente por
integrantes do grupo terrorista Boko Haram. Esses e outros ataques
desencadearam grande repercussão internacional e pressões externas aos
governantes nigerianos, inclusive da Organização das Nações Unidas (ONU), do governo
dos Estados Unidos e do Parlamento Europeu. Enquanto esta reportagem estava em
produção, pelo menos 30 cristãos no estado de Kaduna foram assassinados.
Segundo a organização International Christian Concern (ICC), homens
armados invadiram a aldeia de Naridon e abriram fogo contra os moradores
locais, além de incendiarem as casas, enquanto os sobreviventes fugiam para os
campos. O ministério Building Zion relatou ataques contínuos com horas de
duração sem qualquer intervenção das forças de segurança ou do governo. “Todos os
meses enterramos nosso povo”, lamentou Stephen Hajara, porta-voz do Conselho
Legislativo do Governo local de Kauru. “No mês passado, enterramos 11 pessoas, incluindo
crianças; agora, outro enterro coletivo de 30. Chega! Por favor, venham nos
ajudar!”, implorou em declaração à ICC.
Paradoxalmente, a mesma nação abriga uma população cristã
com cerca de 100 a 110 milhões de fiéis, uma das maiores do planeta,
tornando-se, inclusive, importante celeiro missionário para África, Europa e
Oriente Médio. Em meio à violência, igrejas continuam sendo plantadas, novos obreiros
são formados e comunidades inteiras permanecem fiéis a Cristo.
Família de pastor que denuncia perseguição é morta
cruelmente
Em julho, o pastor nigeriano Ezekiel Dachomo teve nove familiares
assassinados após ofensiva promovida por extremistas Fulani, em Plateau. O
líder religioso havia se notabilizado pelas denúncias de perseguição aos
cristãos na Nigéria. Após um ataque que vitimou 13 cristãos em outubro de 2025,
Dachomo acusou as autoridades locais de cumplicidade e negação, mesmo diante de
provas irrefutáveis de violência direcionada. “Há um genocídio em curso na
Nigéria e o mundo precisa saber. Cristãos estão sendo caçados, mortos e
deslocados por causa de sua fé, e o governo permanece em silêncio ou até mesmo
protege os perpetradores”, disse ele ao ICC e em video que circulou o mundo.
Meses depois, na madrugada do dia 11 de julho, os extremistas invadiram a casa de
familiares de Ezekiel Dachomo, na aldeia de Kum, e mataram nove pessoas, dentre
elas um bebê de dois meses. Segundo sobreviventes, os criminosos perguntaram
pelo pastor e, antes das execuções, disseram: “Hoje vocês aprenderão uma dura lição”.
Durante o funeral coletivo, Dachomo declarou: “Foi aqui que cresci com a minha
avó. E sei que as pessoas que cometeram este ato sabiam que tenho uma ligação
com esta família. O homem cuja casa foi atacada é meu sobrinho”.
Assembleia de Deus no contexto da perseguição
Ao descrever a atual situação dos cristãos na Nigéria, o
pastor Udochukwa Oriwa, secretário do Conselho Nacional de Missões da
Assembleia de Deus no país, relata que há entre o povo medo pela própria vida e
pobreza extrema, uma vez que os cristãos não conseguem ir a suas lavouras nem
cuidar de seus negócios, particularmente nas chamadas “zonas críticas” – áreas
de alto risco. Essas áreas, segundo o líder, são de maioria muçulmana e
abrangem o Nordeste, o Noroeste, o Centro-Norte e, mais recentemente, os
estados de Kwara e Oyo, na parte norte da região Sudoeste. As regiões Sudeste,
Sul-Sul e Sudoeste também enfrentam problemas com banditismo, sequestros e outras
formas de terrorismo, mas não na mesma proporção que as outras zonas. Isso
ocorre porque os cristãos são maioria nessas regiões.
“O que está acontecendo na Nigéria é um plano deliberado e
uma tentativa de erradicar o cristianismo nessas áreas e, possivelmente, em toda
a nação. As comunidades cristãs que não foram destruídas vivem aterrorizadas e
são forçadas a pagar resgates por membros sequestrados. Mulheres sequestradas
são vítimas de estupros em série”, enfatiza o líder. Diante do quadro, muitas
famílias viram-se forçadas a abandonar suas comunidades de origem e a se
transferir para áreas urbanas, onde a incidência de ataques é menor. Nesse
contexto, muitas igrejas foram fechadas, cristãos perderam familiares, outros
foram sequestrados e forçados a renunciar à sua fé, e muitos morreram ao se recusarem
a converter-se ao Islã.
Quanto ao que a Assembleias de Deus da Nigéria tem feito
como instituição diante desse cenário, o pastor Udochukwa Oriwa comenta que,
tanto em nível distrital quanto nacional, a denominação viu-se obrigada a pagar
vultosos resgates diversas vezes para a libertação de membros sequestrados. Por
meio do departamento de assistência humanitária, a igreja também tem visitado
as pessoas afetadas que vivem em campos de deslocados internos, levando
alimentos e outros materiais de apoio periodicamente. Recentemente, com o apoio
financeiro da Assembleia de Deus dos Estados Unidos, a liderança nigeriana vem
intensificando esforços para reconstruir igrejas destruídas pelos terroristas.
“No momento da resposta a esta reportagem, cerca de 22 igrejas estão em
processo de reconstrução, graças aos esforços da igreja norte-americana.
Contudo, muitas outras igrejas ainda aguardam assistência”, comenta o líder
nigeriano, agradecido pela demonstração de amor fraternal.
Sobre ter que continuar expandindo o trabalho missionário em
meio a tantas dificuldades, o pastor Udochukwa Oriwa menciona as palavras de
Jesus em Mateus 16.18: “Edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela”. E enfatiza: “Aconteça o que acontecer, a Igreja é
imparável. A história da Igreja mostra que a perseguição externa jamais a
deteve. Ela apenas a dispersa, mas não a destrói. A Igreja prossegue onde quer
que esteja e onde encontre oportunidade”.
Ciente de que o Senhor não abandona a Igreja perseguida,
que, segundo ele, é “fervorosa e espiritual”, o pastor Udochukwa Oriwa acredita
que esse é um tempo de provação e que a igreja nigeriana sairá dela como o
ouro. “Se mantivermos uma atitude positiva, compromisso com a Grande Comissão,
espiritualidade e unidade, veremos isso acontecer. Assim nós lemos em Jó 23.10:
‘Mas ele sabe o caminho que sigo; quando ele me tiver provado, sairei como o
ouro’. A igreja perseguida tem a tendência de ser uma igreja fiel, espiritual e
em rápido crescimento”, salienta. O líder também acredita que o que ocorre com
a igreja na Nigéria resultará em um retrato mais claro e verdadeiro da situação
do cristianismo no país; despertará um desejo maior e mais forte de encorajar e
apoiar a Igreja; e que o conhecimento que as igrejas pelo mundo passam a ter da
situação se torna oportunidade para apoiar a reconstrução de igrejas destruídas
e adotar missionários em lugares difíceis do país.
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