Recém-saídos da adolescência, muitos meninos e meninas encaram o desafio de viver a dois. Decidem se casar sem maturidade, sem a menor condição financeira e emocional para assumir esse compromisso.
Embora dados do IBGE mostrem que a idade dos noivos esteja
subindo, ainda assim é muito expressivo o número de jovens que decidem se casar
muito cedo, especialmente os evangélicos. A maioria destes se casa muito cedo.
Mas, afinal, o que justifica tanta pressa em subir ao altar, diante de tantas
possibilidades da vida moderna?
Por que as pessoas se casam cedo?
Além do sexo com o cônjuge liberado no caso dos cristãos,
especialistas mostram que, dentre as razões que contrariam a tendência atual de
se postergar o casamento, está o ideal de amor romântico e a vontade do jovem ser
independente. Mas, destacaremos a seguir ainda alguns outros motivos relevantes
para o casamento precoce dentro e fora da igreja.
A busca da felicidade
Na nossa cultura, desde pequenas, as meninas estão acostumadas
a ouvir histórias sobre príncipes, castelos luxuosos, cavalos brancos e
felicidade eterna. Nos contos de fadas, o casamento aparece justamente como o resultado
de uma conquista e a garantia de um final feliz. Inebriadas pelo chamado “complexo
de Cinderela” – termo usado pela psicologia para explicar o comportamento de mulheres
que têm como grande sonho encontrar o homem “ideal”, se casar e assim ser “feliz
para sempre”. Muitas meninas, movidas pelo sonho de encontrar o seu “príncipe”
que lhe garanta uma felicidade eterna, embarcam na realidade do casamento como se
fosse esse tipo de aventura.
O casamento passa a ser encarado como o ponto alto de todas
as conquistas da vida e o meio pelo qual a pessoa conseguirá encontrar a tão sonhada
felicidade. A menina se rende aos encantos do casamento idealizado acreditando que
a felicidade plena se consegue assim. Por isso desejam uma cerimônia com toda a
pompa, justamente por considerar este momento o mais feliz de sua vida.
Geralmente o “encantamento” dura muito pouco, pois as responsabilidades
do casamento e a falta de maturidade para lidar com as diferenças entre os
recém casados comumente transformam o sonho em frustrações.
Fugindo da pressão familiar
Alguns jovens buscam no casamento um meio de fugir dos problemas
familiares. Criam a expectativa falsa de independência, movidos apenas pelo encanto
da paixão, sem nenhuma experiência para lidar com a parte prática do casamento.
O intuito é apenas a conquista da tão sonhada independência.
Mas com o tempo, o companheirismo se transforma em cobranças e em uma “nova prisão”.
Geralmente o casal começa a se distanciar e as brigas tornam-se rotineiras levando,
muitas vezes, ao divórcio.
Cobrança social
A educação recebida em casa e a cobrança social são fatores
que também influenciam na decisão de se casar cedo. Existe uma cobrança muito
forte em casa e na igreja, principalmente em relação à menina quanto ao seu
papel de esposa e mãe. As cobranças recebidas, aliadas ao medo de fi car só, o
“fi car para titia”, faz com que algumas meninas se precipitem e entrem em
relacionamentos inadequados. Ou mesmo corram desesperadas em busca de um(a) companheiro(a).
Pessoas que entram numa relação sem se perguntar o que quer
com o casamento, como se imagina no futuro e como planeja seus passos na vida
para conseguir tudo isso, tendem a acordarem anos depois e perceberem que não
fi zeram a coisa certa.
O medo de pecar
Há ainda aqueles que se casam porque veem no casamento uma forma
de fugir da tentação de fornicar. Neste caso o casamento passa a ter o único objetivo
de dar ao jovem a liberdade de se relacionar sexualmente sem pecar.
Além dos conflitos que o jovem enfrenta para manter uma vida
de castidade, existe ainda as cobranças em casa e principalmente na igreja, resultando
muitas vezes em casamentos apressados, com um tempo muito curto de namoro, não dando
aos noivos a oportunidade de se conhecerem bem.
Embora o casamento possa ser um meio de se extravasar legitimamente
os impulsos sexuais, isto não significa que se deva apressar o casamento apenas
por esta razão. O sublime do homem cristão é ter o domínio próprio e saber
controlar os seus impulsos (Gálatas 5.22). Jovens que se casam apenas por essa
razão ignoram completamente o verdadeiro sentido do casamento e o compromisso que
estão assumindo.
Problemas do casamento precoce
Quando o casamento é antecipado, a vida adulta chega bem antes
da hora e o jovem passa a assumir responsabilidades que só deveriam vir mais
tarde. Ocorre uma queima de etapa, levando os jovens a pularem vivências, experiências
e descobertas importantes para a formação da maturidade. Algumas pessoas começam
a desabrochar para a vida alguns anos depois de casadas, sentindo necessidade de
sair do relacionamento para conhecer os seus próprios desejos.
Alguns estudos apontam que pessoas que se casam muito cedo estão
propensas até a problemas de saúde mental como variação de humor, transtornos de
ansiedade, do pânico, transtorno bipolar e depressão. Havendo maior incidência
para as mulheres.
Outro problema causado pelo casamento precoce é a falta de
maturidade do jovem casal. A imaturidade emocional gera sentimentos como
insegurança, ciúmes, complexos, timidez excessiva, medo do fracasso, autocrítica
em excesso, resultando em brigas, discussões, agressões e profundos traumas.
O papel da igreja na família e sociedade
A igreja deve orientar pais e filhos quanto à
responsabilidade e planejamento para o matrimônio por meio de cursos para noivos,
seminários, palestras e aconselhamento, porque alguns já pensam em cair fora,
como se fosse igual a terminar um namoro, mas esquecem que existem vidas em jogo,
principalmente se houver filhos nessa relação. Havendo uma interação entre a
igreja, a família e os noivos, no planejamento e preparação para o casamento,
com certeza, se evitará muitos futuros divórcios entre os jovens cristãos.
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