Seus nomes aparecem nos noticiários, com destaque especial para suas mais recentes ações e a consequente repercussão na cena geopolítica. Com histórias de vidas diversas, acabaram por sentar-se à mesma mesa mundial, numa espécie de cimeira, efetivada pelo entrecruzamento do exercício do poder que lhes foi outorgado, numa disputa que espalha faíscas por toda a humanidade.
O primeiro a ser citado não poderia ser outro, senão o
empresário norte estadunidense, o populista que desafia protocolos políticos e
apresenta um discurso direto em defesa da retomada de valores tradicionais e do
fortalecimento da economia americana. Com uma fortuna estimada em mais de sete
bilhões de dólares, a midiática figura de Donald John Trump exerceu um primeiro
mandato no período de 2017 a 2021, reassumindo a liderança da nação quatro anos
depois, após o governo Biden. Trump coleciona ações intempestivas, tocando em
áreas e assuntos delicados, avançando e recuando em decisões e ameaças, e
promovendo uma instabilidade que torna difícil imaginar suas próximas atitudes.
Destaca-se como segundo nome o de Wladimir Vladomirovich
Putin, formado em Direito em Leningrado e tendo entrado para o Serviço de
Espionagem Russo (KGB), onde alcançou o título de coronel. Mais tarde,
tornou-se diretor do Serviço Federal de Segurança (antigo KGB). Tornou-se
presidente interino de seu país quando da renúncia de Boris Yeltsin. Venceu as
eleições do ano 2000 e foi reeleito em 2004. Iniciou novo mandato em 2012,
mandato esse cuja duração foi alterada, permanecendo no poder até 2018. Foi reeleito
em 2018. Pela Constituição russa, não poderia concorrer em 2024, mas uma
conveniente alteração aprovou mais dois novos pleitos, podendo Putin liderar o
país, se assim desejar, até dois mil e trinta e seis. Estima-se que possua uma
fortuna de quarenta e seis bilhões de dólares, algo difícil de admitir em um
funcionário público.
Compõe a lista a mulher chamada de “Senhora Europa” – a
recatada mãe de sete filhos e pertencente à uma das mais conhecidas famílias e
políticos alemães, os Albrecht, chama-se Ursula von der Leyen, presidente da
Comissão Europeia e eleita a mulher mais poderosa do mundo pela revista Forbes.
Ursula atuou por catorze anos no governo alemão, exercendo, inclusive, o cargo
de Ministra da Defesa. Política de centro-esquerda, filiada ao partido União
Democrata Cristã, completará seu segundo mandato em 2029. É casada com Heiko
von der Leyen, membro da antiga nobreza alemã e possui uma fortuna estimada em
três milhões de euros, embora esse valor seja considerado pelos especialistas
como subestimado. A “Senhora Europa” é pessoa afeita ao poder e transita entre
as maiores autoridades como quem caminha entre os iguais.
Ainda no cenário europeu, destaca-se a figura de Emmanuel
Macron, eleito em 2017 o presidente mais jovem da França. Formou-se em Política
Internacional, fez mestrado em Políticas Públicas e Filosofia e foi assistente
editorial do filósofo, criado por pais adotivos protestantes, Paul Ricoeur.
Começou no serviço público em 2004 como inspetor financeiro do Ministério da
Economia e Finanças. Em 2014 assumiu o cargo de Ministro das Finanças, tendo
sua carreira marcada pelo exercício da vida pública na área da economia; sua
liderança talvez expresse a expectativa do povo francês por atos de organização
interna, embora Macron seja constantemente atraído ao debate internacional.
Xi Jinping, o discreto presidente da China, foi vice pelo
período de 2008 a 2013, tendo sido Secretário Geral do Partido Comunista
Chinês. Formou-se em Engenharia Química e foi o governador de Fujian,
demonstrando, desde cedo, uma força implacável contra a corrupção, tendo
prendido e punido mais de um milhão de acusados. Sua fortuna pessoal é modesta,
embora haja constantes denúncias de participações financeiras significativas de
seus familiares em empresas privadas e estatais. No ano passado, a China foi apontada
como a principal ameaça militar e cibernética aos EUA pela diretora de
Inteligência Nacional dos EUA, Tulsi Gabbard e por outros líderes de agências
de segurança do país. A China aparece, junto com a Rússia, o Irã e a Coréia do
Norte como os maiores desafios à segurança do país.
Citar a Coreia é lembrar de Kim Jong-un, representante da
terceira geração de políticos coreanos no poder. Filho de Kim Jong-il e neto de
Kim Il-Sung, o presidente foi educado na Suíça, tendo sido, posteriormente,
enviado para a Escola Nacional de Guerra Kim Il-Sung. No ano de 2009, foi
nomeado chefe do Departamento de Segurança do Estado, órgão que controla todo o
serviço de Inteligência e ações políticas do país. Caminhou com seu pai, de
quem aprendeu o proceder e, hoje, concentra os poderes de chefe do governo e
das forças militares da Coreia do Norte. Tem focado em reformas econômicas,
agindo com forte repressão e investindo na aceleração do programa de armas
nucleares, a despeito dos protestos mundiais.
Benjamin Netanyahu, político de direita e líder do partido
Likud, hoje é o primeiro-ministro com mais tempo no poder em Israel, estando no
terceiro mandato, iniciado em 2022. O ex-soldado das forças especiais (Sayeret
Matkal) nasceu em Tel Aviv e cresceu parte do tempo em Israel e parte do tempo
nos EUA, devido ao trabalho de seu pai, o historiador Benzion Netanyahu. Um
episódio marcou fortemente a carreira do jovem: seu irmão, Yonatan Netanyahu
morreu em mil, novecentos e setenta e seis, liderando o resgate de reféns no
conhecido evento de Entebbe. O falecimento heroico do irmão moldou sua visão
antiterrorista. Serviu como embaixador de Israel na ONU, antes de se eleger ao
Knesset pelo Likud. Considera por princípio e dever a proteção de Israel,
notadamente contra as ações terroristas. Poderíamos citar outros nomes, mas os
aqui selecionados compõem os constantemente citados nesta e em outras colunas
que tangenciam os assuntos relacionados aos conflitos mundiais da atualidade, e
sua relação deve constar em nossos modestos cadernos de orações e encontros de
intercessores, fazendo de suas vidas alvo de súplicas constantes,
principalmente para que haja, no contexto das influências de cada um deles, a
paz necessária para a pregação do Evangelho.
À parte de seus cargos e poderes, precisamos lembrar que são
homens, como todos nós. Um dia comparecerão diante do Criador, a quem prestarão
contas pelas ações praticadas. Naquele dia, não comparecerão com seus cargos,
tradição, história política ou feitos. Não importará, então, o volume de votos
alcançados ou a sequência de mandatos assumidos, mas serão eles e Deus apenas.
O escritor brasileiro Machado de Assis narra algo interessante em um de seus
contos, “O Espelho”. Nele, um alferes, sempre orgulhoso de sua farda, retira-a
diante de um espelho. Curiosamente, ao remover, peça por peça, a farda, nenhuma
figura mais é refletida. Debaixo da farda, nada havia. Conclui o escritor que o
alferes matara o homem.
Na Bíblia, temos o exemplo de Arão, Sumo Sacerdote de
Israel, em seus momentos finais. Subiram o monte Hor (Números 20.2-28): Arão,
Moisés e Eleazar, filho de Arão. Arão sobe com suas vestes sacerdotais; no alto
do monte, porém, é despido por Moisés, o mesmo que, um dia, lavou e vestiu seu
irmão para o exercício das funções dadas pelo Senhor. No alto do monte Hor, Arão
despe as vestes sacerdotais e veste as vestes de seu filho. O filho assume as
vestes e o ofício de seu pai. Ali, no alto do monte, Arão vai ao encontro de
Deus, não como sacerdote, mas vestido de filho. Ficam o Urim, o Tumim, a
estola, as campainhas, as romãs... e vai o homem ao encontro de Deus. Para
tanto, é necessário que haja um homem por debaixo das vestes do ofício. No
encontro com Deus, não comparecerão os primeiros-ministros, os senhores, os
sacerdotes, os soldados, nem mesmo os heróis. As fortunas ficarão e a área de
influência não abarcará os céus. É necessário, então, considerarmos com
misericórdia também os poderosos do mundo, clamando por suas almas, para que
estejam prontas para o dia da subida ao monte Hor.
por Sara Alice Cavalcanti
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