De diagnóstico grave à alta, o menino Asafe vence desafios e retorna ao seu lar
A notícia de que estava grávida do terceiro filho encheu de alegria o coração de Regina Martins, moradora de Canaã dos Carajás, sudeste do Pará. Mesmo em meio à rotina agitada como estudante de Pedagogia e mãe de dois adolescentes – Vitor Gabriel, de 14 anos, e Gabriely, de 13 –, Regina não imaginava que um desafio maior mudaria completamente o rumo da gestação. Casada com Samuel do Livramento Justino, Regina recebeu, no quarto mês de gestação, a notícia de que esperava um menino com um diagnóstico desafiador: Pentalogia de Cantrell. Essa síndrome rara é caracterizada, entre outras alterações, pelo desenvolvimento do coração fora da caixa torácica, em razão da ausência do osso externo.
Durante a gestação, Regina percebia a gravidade do quadro do
bebê e, por morar no Norte do país, sabia que seria difícil encontrar um
hospital especializado para realizar o parto de forma segura. Além disso, ouviu
dos médicos que o risco de morte era grande e poderia se concretizar até o
oitavo mês. Diante desses problemas, ela resolveu viajar para o estado de São
Paulo a fim de obter mais recursos para a realização do parto do filho. Com
ajuda do irmão, Ronair Martins, e da cunhada, Vanessa Andrade, Regina e o
esposo chegaram ao estado paulista no dia 24 de setembro de 2024. Sem recursos
financeiros e sem encaminhamento médico, ficaram hospedados na casa da tia
Lúcia e buscaram por atendimento no Hospital São Paulo.
Cinco dias depois, em 29 de setembro, nasceu Asafe Martins Justino,
exatamente no Dia Mundial do Coração. As complicações vieram no pré-parto,
quando Regina apresentou eclâmpsia, e também após o parto, sendo encaminhada à
Unidade de Terapia Intensiva (UTI), onde permaneceu por três dias. O bebê nasceu
com outras comorbidades, como displasia do quadril e pés congênitos —
deformidade em que um ou ambos os pés se apresentam virados para dentro.
Uma equipe médica do Hospital São Paulo e alunos de medicina
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), indicaram, como tratamento
ortopédico, o uso da órtese de Denins Brown, utilizada no tratamento de pé torto
congênito e que permite manter os pés em rotação externa. Asafe passou a usar
essa órtese e precisará permanecer com ela até completar quatro anos de idade.
Desde criança, Regina serve a Deus na Igreja Assembleia de
Deus em Canaã dos Carajás, presidida pelo pastor José Hamilton de Amarante. Foi
ali que aprendeu que a oração é refúgio e sustento. Mesmo em meio à dor, nunca deixou
de interceder por Asafe. Enquanto esteve em São Paulo para o tratamento do
filho, passou a congregar na Igreja Assembleia de Deus Ministério do Belém, onde
Deus renovou suas forças através da comunhão da igreja. Durante todo esse
período, Regina contou com o apoio dos pastores e membros que ofereceram
auxílio com moradia, alimentação e suporte emocional. A causa também foi
abraçada pela vereadora Rute Costa e a deputada estadual Marta Costa, que se
mobilizaram em ajudar a família.
Quando completou três meses, em 23 de dezembro de 2024,
Asafe foi apresentado ao Senhor pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa,
líder do ministério. No ano de 2025, o bebê precisou passar por uma série de cirurgias
delicadas. Para isso, ele foi encaminhado para o Instituto Dante Pazzanese de
Cardiologia para reposicionar o coração. Mas antes da cirurgia, Asafe passou por
quatro procedimentos cardíacos.
Na operação, o pequeno sofreu uma parada cardíaca, exigindo extrema
habilidade da equipe médica e a abertura de grande parte do tórax. A cirurgia
levou cerca de oito horas. Asafe precisou ser entubado e a recuperação foi
lenta, deixando-o nessa condição por duas semanas. “Meu filho ficou tão inchado
que parecia haver duas crianças no mesmo leito”, lembra Regina. Segundo a mãe,
nos primeiros dias, ela não conseguiu acompanhar o filho, devido a uma exaustão
emocional, e o pai precisou assumir essa tarefa. Porém, como o pai precisava
retornar ao Pará para trabalhar, Regina seguiu sozinha acompanhando o
tratamento do menino.
Durante a internação, os médicos verificaram que o pulmão esquerdo
de Asafe era menor que o direito, sendo necessária outra cirurgia, conhecida
como plicatura pulmonar. Ainda restava mais uma cirurgia para corrigir a
displasia do quadril – condição em que a cabeça do fêmur não se encaixa
corretamente na bacia –, quando, durante os exames de acompanhamento, a equipe
médica se surpreendeu ao constatar que não havia mais anomalia no quadril de
Asafe.
“Foi um milagre muito grande! Todos os procedimentos foram
milagres. Durante minha gravidez, Deus falou comigo que ia cuidar de cada
detalhe e que ia fazer essa criança surpreender a medicina e a todos que
conhecessem o caso dele. Algo tremendo o que Deus fez e o que ainda fará, eu
creio”, relata a mãe.
Mesmo em meio à rotina hospitalar, Regina retomou os estudos
e conseguiu finalizar a faculdade de Pedagogia na modalidade online.
Quando Asafe completou um ano, os irmãos da Assembleia de Deus
no Belenzinho realizaram uma festa especial para ele no próprio templo, com a
presença dos pastores e familiares do casal.
No dia 11 de janeiro de 2026, a família recebeu uma notícia milagrosa:
Asafe estava de alta e com autorização para retornar ao convívio dos familiares
em Canaã dos Carajás. Assim, depois de um ano, três meses e 19 dias, a família
retornou à sua terra - para honra e glória do Senhor - com Asafe, um bebê
milagre, e com uma história marcada por lutas, fé e grandes vitórias!
Compartilhe este artigo. Obrigado.

إرسال تعليق
Seu comentário é muito importante