Preciso de uma explicação sobre 1 Coríntios 15.29, que diz: “Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles, então, pelos mortos?”
O capítulo 15 de 1 Coríntios trata das implicações da ressurreição de Cristo para a salvação e o futuro dos crentes. O apóstolo faz uso de diversas perguntas retóricas para conduzir sua explicação sobre o assunto, e 1 Coríntios 15.29 contém duas delas. Este é considerado um dos versículos de difícil compreensão no Novo Testamento, porque não se sabe a que Paulo se refere ao falar do batismo em favor dos mortos.
São muitas as discussões em torno do “batismo pelos mortos”.
Nos anos 1950, já se havia contabilizado mais de quarenta explicações, e
ninguém sabia ao certo do que Paulo estava falando (1). Alguns estudiosos sugerem
que se trata de uma prática dos corintos incrédulos. Outros, no entanto,
argumentam que Paulo não citaria algo pecaminoso sem corrigi-lo. Alguns
entendem como um mero banho; essa interpretação parece ser influenciada pelo
antigo costume dos judeus de lavar os corpos dos falecidos e não se trata de
batismo. Há os que entendem que os mortos eram batizados. Existem os que defendem
o batismo vicário em nome dos mortos. Outra interpretação é que Paulo se
referiu a pessoas à beira da morte que foram batizadas na esperança da
ressurreição futura. Ainda, fala-se que os mártires mortos por amor a Cristo
levaram pessoas ao encontro com Jesus, que se batizaram.
Vamos analisar o versículo. Primeiro, uma pergunta retórica não
espera resposta; seu propósito é levar à reflexão. É o caso de 1 Coríntios
15.29. As perguntas de Paulo servem para indicar o absurdo, não significando concordância
com tal prática. Segundo, podemos identificar quem seriam esses que se batizaram.
Dos versículos 12 ao 8, Paulo se dirige aos crentes em Jesus; assim, o
versículo 29 poderia ser interpretado como uma continuação. Contudo, vemos que
Paulo fala de “nós” no versículo 30, mostrando que o versículo 29, na terceira
pessoa, refere-se a uma prática de outro grupo, e não à dos crentes. Pelo contexto,
observamos que os versículos 29 ao 34 tratam da consequência ética de crer ou negar
a ressurreição dos mortos. A prática do batismo por causa dos mortos perderia
seu valor se a ressurreição fosse negada (v. 29), a vida de Paulo seria sem
proveito (v. 31-32a) e o estilo de vida seria marcado por maldades e bebedeiras
(v. 32b-33). Paulo está alertando para que se viva de maneira sóbria e sem
pecado (v. 34).
A declaração de Paulo em 1 Coríntios 15.29 deve ter feito mais
sentido para os corintos do que faz para nós hoje; isso, porém, não é motivo
para desistir de entendê-la. Embora não tenhamos mais informações, entendemos
que o batismo pelos mortos contraria o ensino bíblico. Além disso, o objetivo final
do apóstolo é esclarecer a seriedade do assunto: negar a ressurreição dos
mortos significa negar a ressurreição de Cristo. A ressurreição de Cristo é as
primícias (15.23); isso significa o início de algo e aponta para sua
continuação, ou seja, os que são de Cristo passarão pela mesma experiência
dele. Eles não permanecerão mortos, pois voltarão a viver como Jesus. Isso
representa a derrota da morte (15.26). Trata-se de uma mensagem de esperança.
Nota
(1) Foschini,
“‘Those Who Are Baptized for the Dead’: 1 Cor 15:29,” CBQ 12 (1950); Schnackenburg,
“Baptism for the Dead,” in Schnackenburg, Baptism in the hought of Paul,
95-103.
por Daniele
Soares
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