Cristo nos livra do veneno da serpente

Cristo nos livra do veneno da serpente


Na trajetória do povo de Israel pelo deserto em direção à Canaã, os israelitas foram surpreendidos por uma situação adversa: serpentes invadiram o arraial, ocasionando a morte de centenas deles (Números 21.4-9). A jornada acontecia pelo caminho do Mar Vermelho, contornando a terra de Edom, pois os edomitas haviam negado passagem a Israel (Números 20.18-21), o que deixou o povo impaciente. “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Porque nos fizestes subir do Egito, para que morramos neste deserto, onde não há pão nem água? E a nossa alma tem fastio de pão vil” (Números 21.5).

Sempre sofremos a terrível tentação de desprezar o que Deus já nos deu, apenas porque ainda não possuímos o que desejamos. Às vezes, ignoramos as prioridades para satisfazer uma vontade momentânea. A verdade é que o povo havia saído do Egito, mas o Egito não havia saído do coração do povo. A trajetória de Israel registrou vários episódios de horrores decorrentes da dureza de coração e da ousada atitude de questionar os santos preceitos de Deus. Entre eles, o episódio que iremos discorrer neste espaço, pois revela uma verdade que vem até hoje.

O fato ocorrido em Números 21.4-9 foi ratificado por Jesus na famosa conversa com Nicodemos, um príncipe em Israel que buscou o Messias à noite em busca de verdades espirituais (João 3). Jesus enfatizou a necessidade da regeneração, novo nascimento, pois Nicodemos, como todo ser humano, necessitava “nascer do alto”, ser gerado de semente incorruptível (1 Pedro 1.23) e tornar-se verdadeiramente nova criatura (2 Coríntios 5.17).

Jesus enfatiza o ocorrido com os israelitas no deserto para revelar Sua missão no mundo: “Ora, ninguém subiu ao céu, senão aquele que de lá desceu, a saber, o Filho do Homem, que está no céu. E do modo como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do Homem seja levantado, para que todo o que nele crê tenha a vida eterna” (João 3.13-15). Jesus explicou a Nicodemos que, assim como os israelitas foram mordidos por serpentes no deserto, ele próprio havia sido mordido pela serpente do pecado, uma mordida incurável, mas que teria redenção por meio de Jesus. É importante considerar que a sublimidade desta analogia se encontra naquele que foi “levantado”, a saber: Jesus. O Salvador Bendito seria erguido na cruz nos arredores de Jerusalém, trazendo salvação a todos que voltassem os olhos à cruz (Isaías 45.22; Salmo 34.5). Nicodemos estava diante daquele que poderia curá-lo da ferida do pecado e lhe conceder nova vida pelo Espírito, algo que, até então, aquele famoso líder desconhecia.

Tudo isso porque as coisas espirituais se discernem espiritualmente, sendo incapaz o homem natural de compreender essas verdades, como destacou o apóstolo Paulo (1 Coríntios 2.14). O homem natural ainda está morto por causa do pecado e não possui a iluminação do Espírito Santo; por isso, uma nova trajetória só poderá ser iniciada com a ação do Espírito no espírito do homem. Jesus afirmou: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o Reino de Deus” (João 3.3).

A Bíblia retrata Satanás como a antiga serpente (2 Coríntios 11.3; Apocalipse 12.9; 20). A verdade é que o arqui-inimigo de Deus e dos homens contaminou a humanidade com o veneno terrível do pecado, um império maldito que só pôde ser vencido por meio de Cristo Jesus (Gênesis 3.15; Hebreus 2.14). Satanás, a antiga serpente, tombou muitos ao longo da história, mas Cristo, o descendente da mulher, o Verbo encarnado que, por vontade própria, decidiu participar da natureza frágil do homem, venceu a morte quando morreu e ressuscitou ao terceiro dia (Mateus 28.18; Colossenses 2.13-15).

É necessário entendermos essa realidade: por causa da natureza pecaminosa que habita em nós, estamos condenados à morte: “...a morte passou a todos os homens, porque todos pecaram” (Romanos 5.12). Desde a concepção, é impossível viver de maneira que agrade a Deus (Salmo 51.5). Satanás, pai do pecado, contaminou todos os homens. Este “veneno” nos tornou pecadores, sujeitando-nos à morte. A serpente nos feriu e a sentença da morte foi gravada. Como bradou Paulo, também bradamos: “quem nos livrará do corpo desta morte?” Quem nos curará da mordida da serpente? Este veneno paralisou todos nossos membros, impedindo que a vontade de Deus fosse realizada em nós, tornando-nos escravos do pecado (Romanos 7.8,14).

Mas, assim como Paulo, podemos dar graças, pois Cristo é o companheiro remidor, que, como um soldado, resgata o companheiro ferido em um campo de batalha. Somente Jesus tem o poder de nos resgatar das feridas da morte. Ele nos vivificou quando estávamos mortos em delitos e pecados (Efésios 2.1). Em um futuro muito breve, todos os remidos por Cristo, vivificados e livres do poder do pecado, triunfarão por meio dEle. A antiga serpente será esmagada debaixo de nossos pés (Romanos 16.20), a morte será tragada pela vitória (1 Coríntios 15.54-57). Por meio da ressurreição, seremos totalmente livres das consequências do veneno da serpente, pois seremos glorificados. Maranata, vem, Senhor Jesus!

por Antônio Adson Rodrigues

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