O movimento Pentecostal é chamado por muitos autores de “a terceira onda”, no sentido de que, se a Igreja Católica sempre enfatizou os sacramentos e as igrejas da Reforma enfatizaram as Escrituras, os pentecostais sempre enfatizaram a experiência pessoal do crente com o Espírito Santo. No entanto, toda experiência pessoal nunca esteve acima da Palavra de Deus, mas nasce a partir dela. Neste sentido, vale ressaltar que os pentecostais possuem quatro colunas, por assim dizer, que formam a construção de sua teologia e crença. Essas colunas têm estado firmes deste quando o Espírito Santo foi derramado sobre os crentes, no Dia de Pentecostes, em Atos 2.
O autor Marius Nels define a espiritualidade como atos e sentimentos
que são expressos através de valores e crenças de uma comunidade religiosa. (1)
Na questão específica da espiritualidade pentecostal, quatro fatores são
percebidos, a saber: a Bíblia, a Escatologia, a missão da Igreja e a
experiência com o Espírito Santo. Também podemos chamar de Crença (na Bíblia),
Esperança (na Volta de Jesus), Pregação do Evangelho (missão de anunciar Jesus)
e Experiência (com o Espírito Santo). Vejamos um a um.
A primeira coluna é a Bíblia Sagrada. Ela é a constituição
da espiritualidade pentecostal. Afinal, o crente pentecostal não crê que a
Bíblia contém a Palavra ou se torna a Palavra. O pentecostal acredita que a
Bíblia é a infalível, inerrante e eterna Palavra de Deus. A leitura da Bíblia é
feita de modo simples, no sentido de que o crente acredita que o que está
registrado na Bíblia também pode acontecer nos dias atuais. A Bíblia tem
autoria divina. Ela foi escrita pelo Espírito Santo, que inspirou autores
humanos e ainda ilumina a mente dos leitores contemporâneos. A crença na inspiração
verbal e na infalibilidade da Palavra de Deus faz parte da espiritualidade e da
prática dos pentecostais. Então, o Espírito Santo e a Bíblia proveem a direção
para a vida diária do crente e também dos pastores.
A segunda coluna é a Escatologia pentecostal. O crente vê a
si mesmo como alguém que incorpora a turbulência escatológica e as tensões do
reavivamento antes da Volta de Jesus. Isso significa que o pentecostal não vive
em um escapismo dos desafios do mundo atual, mas anseia por um novo sistema
onde Jesus Cristo será o grande Rei e Senhor no período do milênio. O grande avivamento
derramado sobre os crentes na Rua Azusa no início do século 20 é considerado
pelos pentecostais como o início das últimas chuvas. A promessa do derramamento
do Espírito Santo antes do retorno de Jesus é crida e pregada pela igreja. As
línguas estranhas se tornam a expressão da uma língua ininteligível, um idioma
do Céu. Nesse sentido, o pentecostal é pre-milenista e acredita que o Retorno
de Cristo será primeiro para Sua Igreja e, depois do período da Grande Tribulação,
Jesus virá para a nação de Israel, e “todo olho O verá”. Portanto, os
acontecimentos do mundo fazem parte integral de uma agenda divina.
A terceira coluna é a missionária. Dito de outro modo, o
pentecostal não enxerga a estrutura do próprio movimento apenas como benefício
próprio, mas como uma plataforma missionária com o propósito de expandir o
Evangelho para o mundo. Para o pentecostal, a presença do Espírito Santo na Igreja
é a razão da existência dela a fim de proclamar ao mundo as verdades do
Evangelho. Jesus falou sobre missões, o apóstolo Paulo também tratou do tema. As
Assembleias de Deus no Brasil são fruto de missões. Os crentes não estabelecem
uma data para a Segunda Vinda de Jesus, mas entendem que precisam pregar o Evangelho
para o maior número de pessoas possíveis em toda a Terra.
A quarta e última coluna é a Pessoa e a Obra do Espírito Santo.
O pentecostal acredita que o Espírito Santo está intimamente envolvido com a
vida do crente e que essa experiência pode ser plausível ou sentida. A
experiência com Deus é uma importante parte da espiritualidade pentecostal. Todos
são convidados para irem ao culto adorar a Deus e todos são incentivados a
buscar o poder do Espírito Santo para suas vidas. Esta coluna mostra que a
teologia, dentro do pentecostalismo, se transforma em pregação, evangelismo,
culto nas casas e anúncio do Evangelho. O Espírito de Deus pode ser derramado
sobre todos aqueles que têm fome e sede por mais de Deus em suas vidas.
Que o crente pentecostal mantenha essas colunas firmes em sua
vida particular e também na vida da igreja em comunidade. Que a Palavra de Deus
seja nossa fonte de orientação. Que a esperança do Retorno de Jesus se mantenha
acesa dentro de nossos corações. Que a pregação do Evangelho continue sendo o
alvo dos pentecostais no Brasil e no mundo. E que o Espírito Santo seja o Deus
em nós, Aquele que glorifica a Jesus Cristo na Igreja. E que essas colunas se
mantenham inabaláveis para a construção desta Igreja que é edificada por Jesus,
pois Ele mesmo disse: “Eu edificarei a minha igreja e as portas do inferno não
prevalecerão contra ela” (Mateus 16.18).
Nota
(1) NEL,
Marius. Aspects of Pentecostal Theology: Recent Developments in Africa. Zürich:
LIT, 2015. Print.
por Jonas José
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